STRIL SPOTTED · Lu de Sousa (@lu.desousaa)

Acho que quase toda mulher que eu conheço já travou, em algum momento, uma guerra contra o próprio corpo. A gente cresce ouvindo que o nosso valor mora na aparência, e leva anos, às vezes a vida inteira, pra desaprender isso. Por isso, quando eu encontro uma mulher que virou esse jogo do avesso, eu paro pra ouvir. A Lu é uma delas. 

Ela corre, pedala, e tem uma honestidade rara sobre o caminho até aqui. Quando eu perguntei como é a relação dela com o corpo hoje, ela não romantizou nada:

"Eu tinha uma relação péssima com o meu corpo desde criança. Na adolescência desenvolvi transtornos alimentares, e isso se estendeu até os meus vinte e poucos anos. Depois de muito tratamento, terapia e acompanhamento, fui ressignificando. Hoje, o que funciona pra mim é ter uma relação de neutralidade com o meu corpo. Mais do que amar o que eu vejo, eu amo o meu corpo pelo que ele faz por mim. Depois que comecei a correr, isso mudou demais: passei a enxergar o meu corpo como algo forte, capaz, que realiza coisas que eu nunca imaginei. Ele é a casa que me carrega pela vida."

Amar o corpo pelo que ele faz, e não pelo que ele aparenta. Eu reli essa frase umas três vezes.

Eu e a Lu temos um ponto em comum: a gente corre com um propósito, melhorar a nossa ansiedade. Entre vários cafés e fofocas, já comentamos um monte sobre como a corrida é uma meditação ativa e sobre o quanto um esporte carrega uma parte social importante. Afinal, são os hobbies da vida adulta que abrem pra gente novos universos. Mas a Lu faz uma coisa que eu acho que jamais conseguiria: maratonas. Eu já acho surreal passar tanto tempo correndo; imagina fazer isso duas vezes? Pois é. Esse ano a Lu fez a segunda maratona dela, e eu me lembro de gritar por ela enquanto ela passava como um jato no posto 11 do Leblon. Mas, ao contrário da primeira vez que eu a vi correndo uma maratona, dessa vez ela estava diferente.

"A primeira me mostrou que dá pra ser feliz fazendo coisas difíceis. Eu sorri muito, me senti realizada em cada quilômetro. A segunda doeu de verdade, e me mostrou que eu consigo, desde que eu esteja do meu lado, desde que eu não jogue contra mim. Virar maratonista me mostrou que eu sou muito mais capaz do que eu imaginava."

E ela realmente é uma potência. E potências vestem Stril. A primeira vez que eu entreguei uma peça da minha marca pra Lu, esperei apreensiva pelo feedback, afinal, ela é a minha referência de quem veste bem na corrida. Ela disse "eu me senti tão confortável", e isso me deu uma paz enorme. A Stril nasceu pra vestir mulheres exatamente assim: que estão aprendendo a respeitar e a celebrar o que o corpo faz, não o que ele aparenta. Obrigada, Lu, por ser tão você. Que a gente continue, junto contigo, viciada em viver 🙂