Anna Carolina usando Stril

STRIL SPOTTED · Anna Carolina (@fevereirorosa)

Quando eu penso sobre meu tratamento oncológico, eu sempre lembro dos mantras que eu mantinha dentro do hospital. Um deles era: “me arrumar linda pras batalhas da vida”. Sejam batalhas bobas, como enfrentar uma fila em banco pra resolver alguma burocracia, ou batalhas duras, como enfrentar horas sentada fazendo uma quimioterapia.

Acho que poucas pessoas conseguem entender o peso que tem esse último. E a maioria que realmente entende são aqueles que, assim como eu, enfrentaram um diagnóstico de câncer. A liberdade que sentimos quando estamos nos arrumando pras batalhas bobas, como precisar fazer um búlgaro numa segunda-feira às 6h da manhã, se torna gratificante, pois houve um tempo em que precisávamos tomar banho sentadas por conta da exaustão que a quimioterapia causava.

Por isso, sempre que vejo nos stories colegas que passaram por isso, que eu carinhosamente chamo de oncofriends, indo belíssimas malhar, e principalmente de Stril, meu coração dá cambalhotas de alegria.

Esse foi o caso de um desses dias, em que eu vi a Anna usando uma das peças. E então eu precisei perguntar: “Anna, em que momento se movimentar parou de ser uma obrigação pra você?”. E ela respondeu:

“Quando passou a ser uma forma de cuidado. Eu me exercito porque sei o impacto que a atividade física tem no meu prognóstico, na prevenção de recidivas e na minha qualidade de vida. Mas, acima de tudo, porque me faz sentir viva.”

E eu entendi o significado de cada palavra que ela disse. Era quase me ver em um espelho. Muitas vezes, as pessoas treinam por estética, e longe de mim julgá-las por isso, afinal, quem não gosta de ver nosso bumbum durinho depois de vários agachamentos? Mas, pra Anna, não é o que ela quer mudar, e sim a força que ela enxerga na coragem e na capacidade de seguir em frente.

E eu sei que, no fim do dia, o que qualquer paciente oncológico deseja é voltar ao normal, mas é inegável o quanto nós somos potências humanas. A Anna me disse algo muito poderoso quando a questionei sobre a vida após o diagnóstico:

“Eu estou aqui para mostrar que, mesmo depois do diagnóstico, ainda existe vida, sonhos, conquistas e muitos momentos felizes pela frente. E, se tem algo que fez e continua fazendo diferença na minha jornada, é a atividade física. O movimento foi uma das ferramentas mais poderosas para recuperar minha força, minha confiança e minha qualidade de vida.”

E quando ela veste Stril, eu vejo o quanto faz sentido vê-la num lugar tão normal quanto uma academia, mas com um propósito tão maior, que é sentir-se viva.

Lindo ver você de Stril, e que você, assim como nós, continue viciada em viver 🙂